Lisboa. Teatro de S. Carlos (vista interior) - último quartel do séc. XIX
Theatro de S. Carlos. Aspecto da sala por occasião do sarau em benefício dos Albergues Nocturnos
Gravura, Pastor/R. Cristino, 1884
in A Illustração universal, A. 1, 1884, p.57
BN PP. 4807 A.
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Domingo dia 20 ás 20.00 na sala junto á entrada
Histórias há tantas como chapéus, “barretes”, gorros e cartolas.
Umas protegem do sol, outras só nos enganam, algumas aquecem-nos quando faz frio e de algumas saem coelhos, flores, ideias e ideais.
A cada um a sua.
Cada um de nós tem a sua visão da realidade mas será a realidade o modo como a entendemos?
A realidade são muitas coisas ao mesmo tempo e por isso prescreve-se alguma cautela. Contar a realidade passa mais pela sugestão, pelas reticências, por algumas aspas do que pelas certezas e pelos definitivos pontos finais.
Todas as histórias são modos de olhar. A mesma história pode ser diferente se for contada por um contador diferente.
Onde um chora com um pôr-do-sol ou com um funeral, outro não diz nada e um outro ri-se ás gargalhadas e por aí afora.
Na diversidade de pontos de vista, de formas de contar podemos encontrar pistas sobre o nosso caminho que às vezes perdidos que estamos na história que contamos de nós não tínhamos considerado.
Para haver histórias bastam duas pessoas, alguém que a conte e outro que a escute.
Os contadores de histórias representam formas antigas de se estar junto antes da televisão, do cinema e dos livros.
A Sherazad das 1001 noites contava histórias para não morrer e o sultão já não podia viver sem as histórias que ela lhe contava.
Neste sentido a minha proposta para domingo dia 20 é que estejamos juntos a ouvir uma história.
Para aqueles que julgam tratar-se de coisas para crianças peço-lhes que não se levem tão a sério, que desconfiem um bocadinho da sua visão do mundo.
Há mais mundo!
São vários os contadores que se disponibilizaram para estar connosco domingo dia 20. E isto é só o princípio.
Lanço aqui a sugestão de utilizarmos a sala para partilharmos com os outros ideias, histórias pessoais ou sobre livros. Será uma sala dedicada á palavra e á partilha.
São todos bem-vindos mas não se esqueçam que nisto de ouvir histórias á maneira antiga é como o fado. Só vem quem quer e pede-se algum silêncio.
RODRIGO BARROS |